A disciplina Fundamentos Teóricos da Educação tem como propósito analisar criticamente os fundamentos filosóficos da educação e suas implicações para os processos de formação humana, ao mesmo tempo em que busca desenvolver a leitura rigorosa de textos filosóficos e qualificar a produção teórica em nível de pósgraduação. Nesse entremeio, a reflexão filosófica é tomada como campo de disputa, no qual diferentes tradições de pensamento produzem modos distintos de compreender a educação e a formação do homem e da sociedade. Assim sendo, e considerando o desenvolvimento da última unidade temática da disciplina, dedicada às epistemologias decoloniais, reconhecemos a necessidade de deslocar o foco de uma tradição filosófica assentada predominantemente em referenciais europeus para abrir espaço para outros modos de pensar e produzir conhecimento sobre educação. É nesse contexto que se propõe a roda de conversa. Caminhos decoloniais para a Filosofia da Educação. Os saberes enraizados no território e nas relações marcadas pela ancestralidade, pela oralidade e pela coletividade, assim com a reinvenção cultural diaspórica como movimento de articulação da memória e da resistência na recriação de saberes em novos contextos, e, ainda, os conhecimentos produzidos no entrelaçamento histórico entre povos africanos e indígenas nas Américas configuração das formas relacionais e não dissociadas de pensar e existir, de ser, estar, sentir e agir no mundo, não só afirmam que toda produção de conhecimento é situada, atravessada por história, território, corpo e experiência, como também, e especialmente por isso, colocam em questão a pretensão universalista da Filosofia da Educação de base eurocêntrica. Mais do que isso: esses saberes convocam o pensamento filosófico à uma postura contínua de (re)existência e criação de novas formas de vida a partir das fraturas colonialidade, operando de um modo outro¿a Filosofia da Educação. Por isso, inclusive, os caminhos outros que propomos para a Filosofia da Educação se organizam em múltiplas encruzilhadas, noção que se configura como abertura de novas direções e horizonte de possibilidades, prática de criação e perspectiva de transgressão à escassez, ao desencantamento e à redução do mundo a uma única voz. Nas encruzilhadas operam movimentos, encontros, desvios, rupturas e (re)invenções que resgatam as experiências e os saberes historicamente apagados pela colonialidade. É precisamente esse movimento que cria as condições para que a Filosofia da Educação seja interrogada a partir de outras bases, deslocando sua centralidade eurocêntrica para afirmar, nas fronteiras epistêmicas, outros regimes de saber que corroborem o entendimento de sua natureza, objetivos e sentidos, como ato intencional de produção de humanidade que se faz na relação entre diferentes modos de saber e existir, pensar, sentir e agir, como prática de afirmação de mundos plurais, assim como de enfrentamento, resistência, criação e continuidade da vida diante das violências da colonialidade. Ao integrar essa atividade ao percurso da disciplina, estimulamos a criação de um espaço de elaboração teórica que se realiza por meio do deslocamento, interrogando os referenciais estudados e orientando a reflexão filosófica para outras formas de pensar, dizer e existir no campo educacional.
OBJETIVO
Interrogar os fundamentos filosóficos da educação a partir das epistemologias decoloniais, articulando a leitura dos textos propostos na disciplina às experiências e saberes dos participantes, de modo a tensionar as perspectivas eurocêntricas e ampliar as possibilidades de produção teórica no campo da educação. OBJETIVOS ESPECÍFICOS - Analisar as relações entre educação, experiência e decolonização do conhecimento, considerando seus desdobramentos para a reflexão filosófica no campo educacional. - Problematizar a noção de saber situado, tomando as epistemologias decoloniais como referência para o deslocamento de perspectivas eurocêntricas na filosofia da educação. - Promover a circulação da palavra e a partilha de experiências como práticas de produção de conhecimento, capazes de tensionar e reconfigurar os modos de pensar a filosofia da educação.
PÚBLICO-ALVO
Estudantes do PPGE Uniube, bem como de outros programas de Pós-Graduação; estudantes dos cursos de licenciatura da Uniube, bem como de outras instituições de ensino superior, públicas e privadas; docentes da Educação Escolar Básica e do Ensino Superior; profissionais da Educação (pedagogos, coordenadores pedagógicos, supervisores e orientadores educacionais); pesquisadores do campo da Educação, da Filosofia e áreas afins; integrantes de movimentos sociais, coletivos culturais e iniciativas comunitárias vinculadas às temáticas da educação, cultura e diversidade; e demais interessados da comunidade acadêmica e da sociedade em geral que se reconheçam interpelados pela temática.